Dentro da Joalharia há um segmento considerado como pertencente ao sector do luxo e relacionado ao poder há centenas de anos, designado por ourivesaria. Apesar de especificamente a ourivesaria estar relacionada com a transformação do ouro para fins ornamentais, atualmente incluímos na terminologia também o trabalho com a prata e outros metais preciosos.

Devido à raridade dos metais preciosos, e algumas das gemas (tradicionalmente, pedras preciosas) usadas na produção de peças de ourivesaria, o valor de tais objetos pode alcançar valores bastante elevados, os quais estão relacionados também com a originalidade dos desenhos, a perícia e o tempo de mão de obra necessários para as conceber.

Inegavelmente a arte da ourivesaria continua a seduzir, seja pelo brilho, seja pelo detalhe, seja pelo engenho, revelando extraordinária criatividade da parte de quem a materializa em objetos de utilizações variadas. Tradicionalmente uma arte manual, foi por tentativa e erro que os artesãos do passado desenvolveram as primeiras técnicas de transformação e moldagem do ouro. Estas foram transmitidas de geração em geração, deram origem a outras, tudo envolto numa aura de magia e segredo talvez comparável ao imaginário coletivo da alquimia.

Se é necessária criatividade sem limite para que nasçam peças que surpreendem, também é fundamental o rigor das medidas associadas.

Medidas para formar ligas de metal, medidas para a peça funcionar, medidas para conceber soluções que vão transformar o metal, a régua, o esquadro, o compasso são ferramentas do dia a dia de um ourives, sabendo que décimas de milímetro podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso da arte final. Como a utilização de ácidos e bases é vulgar no processo, conhecimentos mínimos de química, para além da matemática, são de grande valia para o ourives contemporâneo.

É assim difícil restringir este ofício apenas a um destes universos.

Arte e ciência têm de estar lado a lado num tempo em que a ourivesaria artesanal, que continua a ser valorizada em relação à industrial, contempla a possibilidade de tantos metais preciosos além do ouro (com características distintas uns dos outros), design e engenharia complexos, e ganhou uma consciência ambiental urgente.

Assim, podemos dizer que a ourivesaria é um lugar de interseção onde o artista aplica ciência e o cientista se exprime com arte.