O fascínio do homem por pequenos elementos da natureza na forma de pedras brilhantes, conchas tão bem talhadas, penas coloridas, lascas de ossos e dentes de animais, troncos que se contorcem e ramificam, folhas, flores, etc, acompanha-o desde que a evolução permitiu dar lugar ao desenvolvimento de pensamentos diferentes dos que se destinam à preservação da espécie. Observar e admirar-se com tais produtos da natureza foi certamente o primeiro impulso que levou o homem primitivo a querer guardar uma pedra que o emocionou, e mais tarde a querer transformar o que a natureza lhe oferece no sentido simples de lhe dar prazer. Deliciar-se com um tesouro só seu, que contém algo de mágico, algo que não se explica, algo que foge ao racional e ao necessário.

Ainda hoje não nos será estranho passear na praia e parar para apanhar da areia uma concha em particular, imaginá-la ao pescoço, eventualmente querer guardá-la para sempre. Mais comum ainda será ver crianças a encherem os bolsos de pequenas pedras apesar do protesto dos pais: “Mas o que é que vais fazer com isso tudo?

O ser humano encontrou resposta a esta pergunta. E para aumentar a proximidade com as partes do mundo que ia encontrando, colocou-as em colares e pulseiras. Foi modificando também o corpo para alojar brincos, nas orelhas, no nariz, nos lábios.

Possivelmente o primeiro elemento de uma tribo primitiva a ornamentar-se terá sido o curandeiro ou xamã, a pessoa com poderes mágicos para curar e comunicar com o mundo invisível. Os enfeites que usava assinalavam esse seu poder, mas também de certa forma lhe ofereciam poder.

Acreditamos que este poder associado ao ornamento, chamemos-lhe jóia, rapidamente se tornou alvo de cobiça por parte de outros da tribo que não magos, e então os mais poderosos passaram também a assinalar o seu estatuto com a sua utilização. Haveria a jóia adequada ao curandeiro e a jóia adequada ao chefe, até que finalmente surgiram também as que todos podiam usar… e usavam porque os faziam sentir-se especiais.

Muito tempo se passou desde estes primórdios, mas estes elementos básicos permaneceram. Com o tempo, também o engenho permitiu a transformação do ouro, da prata, a lapidação de gemas consideradas preciosas. A avidez e a estupidez humana permitiram que à jóia se relacionasse também o sofrimento de outros Homens e a detioração do ambiente.

A jóia foi evoluindo com o seu criador. Progressivamente mais delicada, engenhosa, brilhante, surpreendente, hoje em dia não nos chega saber que a peça é composta por elementos raros e preciosos, mas sobretudo interessa que nos conduza ao limiar dos sonhos, do imponderável, dentro do que é moralmente aceitável. Somos hoje Homens preocupados com a origem das coisas, com a forma como se fazem as coisas e assim deve ser, para que na jóia brilhe sempre e apenas a parte boa do génio humano.

Jocalis (latim), raiz etimológica da palavra, significando “aquilo que causa prazer”, resume absolutamente a função do objeto e tudo aquilo que a jóia oferece: prazer ao olhar, ao tato e ao pensamento. Símbolo absoluto de poder, de magia, de emoção, a jóia é ainda um reservatório de sonhos e alvo de espanto do ser humano.

Possivelmente não haverá nenhum outro objeto tão acessório e tão desnecessário. Por outro lado, possivelmente também nenhum outro se lhe igualará em deslumbramento.