O processo criativo deste anel teve origem numa recordação de infância, que passamos a citar:

“Havia uma pessoa tão especial, que fazia arroz doce e torta de cenoura para todas as festas e que transformava em festa todos os momentos em que estávamos juntas. Era alguém que não ocupava espaço nenhum, como a formiga atarefada igual à das histórias que nos contava, às vezes rabiga outras zangada com a cigarra. E cantava com uma voz fininha, em falsete, cantigas que nos faziam rir, repetindo, repetindo, repetindo, sem nunca se queixar, a lengalenga do macaco sem rabo.
A avó Antónia, era assim. Alguém que tinha sido já, há tanto tempo, uma criança que jogava às pedrinhas, uma jovem que montava a cavalo como poucas, uma mulher que perdeu 3 filhas, uma velhinha que mimava as netas com fatias douradas à hora do lanche e já só conseguia fazer malabarismo com 4 laranjas.
E às tardinhas, todos os dias, sentava-se à janela e fazia magia. Deixava que dos seus dedos chovessem flores que tecia com a ligeireza das aranhas… flores em renda que eu imaginava depois subirem ao céu para formar nuvens brancas.”

Esta recordação e o legado de bordados e rendas deixado pela avó foram o motor criativo do nosso anel Memórias, onde a prata foi texturada com um bordado de renda e se torce na forma de uma flor para usar no dedo, como se tivesse ela sido colhida do campo durante um passeio.

O anel Memórias é pois um pequeno contentor de emoções gigantes, que nos ajuda a lembrar como são importantes todos os detalhes da vida e nos brinda com a alegria das coisas simples.