As primeiras notas desta peça para piano de Beethoven são imediatamente reconhecidas pela grande parte das pessoas. A delicadeza e brilhante simplicidade sonora guarda uma gigante onda de emoções, de tal forma que, apesar de ser executada com facilidade por alunos de piano, apenas alguns nos conseguem tocar a alma.

Terá havido uma mulher, de contornos indefinidos, por trás desta obra. Alguém que o compositor amou: mais ou menos platonicamente, secreta ou declaradamente… não se sabe ao certo; não é necessário saber. A base essencial desse sentimento é reconhecida por quem escuta, surgindo, do nosso ponto de vista, na sua forma mais pura e desinteressada de ganhos pessoais.

Tomando como base a transição do período Clássico para o Romântico de que Beethoven é um exemplo, integrando a busca pelo rigor e pureza formal do Classicismo e o individualismo do Romantismo, e recorrendo à linguagem das flores usada no convívio social do séc. XVIII, escolhemos a margarida para representar o conceito de amor singelo que nos transmite Fur Elise de Ludwig Van Beethoven.

A margarida, representada espontaneamente em rabiscos de pessoas de todas as idades de tal forma que talvez seja o arquétipo da flor para os humanos, simboliza a inocência, a sensibilidade e a pureza transmitida pela melodia.

A IMBU criou assim Elise, um par de brincos assimétricos, onde a prata e o ouro, materiais clássicos da joalharia, são combinados na representação de um bouquet de margaridas, assumindo o rigor mas desafiando o equilíbrio formal, tal como o compositor desafiou as harmonias consideradas aceitáveis para a sua época.

Vestir Elise da IMBU evoca as notas idílicas da bagatela de Beethoven, mas também coloca quem os veste no centro de uma narrativa etérea, do tempo passado para o tempo presente.